X GRADUAÇÃO NA MAXIXE - UNIVERSIDADE SAVE
DEUS EVOCADO NA CONSAGRAÇÃO DOS GRADUADOS
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Uma manhã diferente na cidade de Maxixe, terça-feira, 30 de Julho, muitas flores nas ruas, a cidade se confunde com um jardim, as togas negras fazem o contraste com o vermelho das rosas, gente se cruzando a caminho da Igreja, Paróquia da Sagrada Família. Dia diferente, a igreja recebe os graduandos, famíliares e amigos. Sentados na primeira fila  dois reitores, Jorge Ferrão da Pedagógica de Maputo, e Manuel Morais da UniSave, olham fixadamente para o Padre Ezio Bono, Director da Extensão da Maxixe. Começa a omelia, cânticos de louvor, ossana, glória ao senhor, aclamação. O Padre Roberto Maver entra em cena, fala do que faz um dia ser especial, procura o adjectivo e encontra três verbos para explicar aos graduandos o caminho da glória fundanda na ciência.  Colocar Deus em primeiro é o caminho, ele é o começo e o fim, a razão de ser  e existir, a ciência é um meio, um caminho,  um saber que se completa com a presença de Deus. Os dois reitores fixam o padre e o padre continua, fala para os graduandos, primeiro devem Agradecer,  agradecer a Deus, aos pais, a família, aos professores e aos colegas. Lembra que Deus é a origem de toda a graça.  O Padre continua, fala do segundo verbo, Recomeçar, graduar não é terminar, é preciso continuar a estudar, actualizar, ter disposição interior para estar sempre aberto, ser disciplo até ao fim da vida. A Paróquia escuta o padre com sotaque italiano, e o padre fala do terceiro verbo, Sonhar, é preciso sonhar, a sociedade muitas vezes é hostil aos sonhadores, mas é preciso sonhar, sonhar não custa nada mas vale muito, é preciso sonhar ir além, fazer as coisas acontecer, ter sonhos grandes, colocar Deus em primeiro. Ele é sabedoria, ciência e razão. Cânticos, ofertório,  elevação, comunhão, acção de graças, termina a missa, os granduandos saem, seguem o padre Ezio Bono e os dois reitores, é a procissão pelas ruas, vão à praça dos heróis, os dois reitores depositam uma coroa de flores, curvam-se em memória dos que morreram para libertar a pátria amada.  A marcha continua para tenda gigante onde os graduandos recebem o Diploma e ficam graduados. São 335 Licenciados e um Mestre em Ensino de Filosofia, 68 por cento são mulheres, Elena Magumana, directora do registo académico, pede palmas para as mulheres, são a maioria, parabéns mulheres. Os cursos de Gestão de Recursos Humanos e de Educação Física estão a graduar pela primeira vez. Ezio Bono, Padre e Professor, director da Extensão da Maxixe, lembra Denzel Washington, actor negro norte americano, já ganhou um Óscar de melhor actor, num discurso numa graduação lá nas Américas, Denzel disse, "Put god first", coloque deus em primeiro lugar em tudo o que fizer, os graduados ouvem o recado, fica o registo. Os discursos continuam, é a vez do Reitor da UniSave,  Manuel Morais tem um estilo muito próprio, fala da presença do outro Reitor e dos caminhos da UniSave, é novo nestas andanças reitorais, mas tem muita estrada nos caminhos da academia, fala da UP que confere o Diploma aos graduados é como se fosse uma dupla certificação, chama o amigo Jorge Ferrão para o discurso oficial da graduação, e o Reitor da UP-Maputo fala do sabor especial desta graduação e volta aos desafios dos graduados, lembra os verbos do padre Roberto, agradecer,  recomeçar e sonhar, no fim pede para não ser esquecido,  e se tiver que ser esquecido,  que seja devagar, muito devagarinho. Foi uma graduação com sabor especial e sentiu-se a presença de Deus.

 

PADRE FILIPE

Fonte:http://opais.sapo.mz/padre-couto-meio-seculo-de-sacerdocio-na-primeira-pessoa#

Um homem simples, erudito, poliglota e de fortes convicções. Desafiou a igreja, juntou-se ao movimento de luta de libertação nacional, o que, quase, lhe valeu a excomunhão, mas resistiu a tudo e hoje, ao celebrar 50 anos ordenação, fala da sua trajectória, dentro e fora da religião.

Em 14 minutos de uma oração, numa plateia maioritariamente composta por estudantes da Universidade Pedagógica (UP) de Maputo, Padre Filipe Couto falou dos seus 50 anos desde que foi ordenado pela igreja Católica.

Foi a 21 de Dezembro de 1969, na cidade de Lichinga, província do Niassa, que, pela direcção de Dom Francisco Nogueira, Filipe Couto era ordenado padre. Era o início de uma vida dedicada à obra da igreja e que hoje, em breves palavras classifica de "cinquenta anos de união com Deus".

No seu breve discurso de retrospectiva Padre Couto explica que, contrariamente ao que pode parecer “a experiência com Deus vem com altos e baixos da vida". Com um carácter e convicções fortes, explica que apesar do seu "casamento" com a igreja, teve momentos de desvio.

"Conheço as coisas que fiz. Falo com Jesus e, através dele, com Deus, mas sempre certo de que sou um grande pecador" confessou.

"Porém, também, sei que não vou ser crucificado, porque Jesus morreu para todos, e também para mim", disse em tom irónico.
 
Um Padre entre guerrilheiro

Dois anos depois de ser ordenado, Padre Couto desafiou os princípios da igreja e foi-se juntar ao movimento de guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), na Tanzânia, uma aventura que ainda preserva na memória.

"Passado ano e meio comecei como padre no exílio. Fugi para a Tanzânia. Vivi com a FRELIMO de 1971 a 1975, trabalhei com eles (guerrilheiros) e pensava sempre Jesus" recordou, numa locução sem direito a perguntas.

A ousada aventura para o exílio, recorda, quase lhe custou a excomunhão da igreja, tendo sido salvo por um padre Jesuíta, que por ele intercedeu perante a comunidade da Consolata, para que o destino não fosse extremo.

"Esse foi um grande ponto de diálogo entre mim e os padres da Consolata e tive grande sorte porque o geral dos Jesuítas (falecido padre Arrupe) ajudou o meu geral a compreender que, o facto de eu ter fugido da colónia para o exílio e sentar-me com aqueles que chamávamos turras, não era motivo para me suspender, mas sim de compreender" recordou.

Meio século depois, Padre Couto faz uma meaculpa e deixa uma nota de agradecimento à comunidade da Consolata.
"Nesses 50 anos agradecendo os missionários da Consolata, aos quais eu pertenço, e que nem sempre fui bem para com eles, mas eles sempre foram bons para comigo. Houve momentos de guerra e conflito que sempre acabou em bons resultados" destacou.

Incompreendido no regresso

Mesmo escapando da punição, a vida de Padre Coutro na igreja não ficou totalmente pacífica. Segundo relatou, houve questionamentos entre os crentes, por causa da sua aliança com os guerrilheiros.

"Vim para Moçambique e Dom Manuel Vieira Pinto recebeu-me e pôs-me como pároco da Sê Catedral de Maputo" explicou e recordou alguns episódios menos positivos com alguns crentes que questionavam a sua presença.

"Quem é esse que entrou aqui. Estava com os guerrilheiros e agora é pároco. Esse não pode nos confessar" contou.

Colisão com o regime

As fortes convicções de Padre Coutro chegaram a colocá-lo em rota de colisão com as lideranças do governo moçambicano. Um dos momentos que recorda, foi o desentendimento com Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique.

"Havia uma guerra entre mim e o falecido Presidente Machel. Sabia que eu fechava a igreja e pegava gente da Frelimo, e regularizava os casamentos deles" recordou, sem avançar em detalhes.

Com Armando Guebuza, também recorda contradições filosóficas que deixaram marcas.
"Houve discussões com o Presidente Guebuza. Lembram-se da questão de Geração da Viragem".

Em jeito de conclusão, Padre Couto classifica a sua trajectória como sendo "é uma experiência medonha e bonita mas cheia de conflitos e nunca é uma experiência aborrecida".

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