revista udzwi 31

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Nota editorial

Estimados(as) leitores(as)
O Centro de Estudos de Políticas Educativas (CEPE) apresenta a Revista Udziwi número 31, com um total de 15 artigos.
O primeiro artigo, com o título “A Geografia Escolar e a Educação Geográfica em Moçambique” de Eusébio Miguel Máquina, visa analisar a relação entre a Geografia Escolar e a Educação Geográfica. Para a sua realização recorreu-se a observação directa, a pesquisa bibliográfica, a entrevista, a vivência do pesquisador durante o acompanhamento dos estudantes nas Práticas Pedagógicas e Estágio Pedagógico, e ainda a sua experiência na docência do Ensino Primário, Secundário e Superior. O autor considera que os professores não despertam o valor educativo da Geografia, limitando-se apenas em dar a aula, como se o acto educativo fosse uma simples actividade que não tem em conta a formação integral do indivíduo a partir da Geografia.
O segundo artigo, de Nelpódio Anselmo Miranda e Edisio Daniel Mandlate, intitulado “A mistura de códigos na criação lexical no Português Moçambicano (PM): caso da 12ª classe, Escola Secundária de Manjacaze”, tem como objectivo compreender as causas do uso de palavras mistas de Xichangana/Português na comunicação por parte dos alunos da Escola Secundária de Manjacaze. A abordagem é fenomenológica, recorreu-se a questionários aplicados aos alunos sobre o uso de palavras mistas e as causas de uso. Os autores concluem que o uso dessas palavras deve-se a quatro causas principais: identidade com a língua Changana; deficit linguístico; acessibilidade semântica/pragmatismo e uso de linguagem informal, modismo e influência do meio.
O terceiro artigo “Percepção dos professores e encarregados de educação sobre o Ensino Bilingue: caso da ZIP de Chimondzo em Gaza”, de Nelpódio Anselmo Miranda, tem como propósito avaliar a implementação da política linguística de Ensino Bilingue na província Gaza. A recolha de dados foi feita através de entrevista a seis professores do Ensino Bilingue e seis pais/encarregados de educação. Os resultados do estudo mostram que há uma consciência positiva em relação ao Ensino Bilingue tanto entre os professores, como entre encarregados de educação, entretanto há aspectos a melhor na implementação desta política.
O quarto artigo, de Roger González-Margalef, intitulado “Os novos estudos de letramento. Relação dos modelos autónomo e ideológico com os conceitos de letramento e escolaridade” tem como objectivo geral analisar a importância dos Novos Estudos de Letramento no contexto educacional actual. Para o autor, o letramento tem sido objecto de inúmeros estudos e análises recentemente, e apesar de ser um conceito já muito abordado, a sua relevância no âmbito escolar não pode ser tratada como algo efêmero ou passageiro.
O quinto artigo “Impacto da imersão linguística na aquisição e aprendizagem de L2”, de Roger González-Margalef, tem como propósito central analisar os conceitos de imersão e exposição ao meio, os seus efeitos e utilidade para a aprendizagem de uma língua segunda (L2). A argumentação adoptada no estudo é de mostrar os conceitos e variantes de imersão, com exemplos não só linguísticos, mas também como factores que ajudam a entender a prática da imersão num indivíduo ou numa sociedade. O autor conclui que os modelos de educação bilingue, imersão, submersão e outros todos têm os seus benefícios e contrapartidas, mas é evidente que a imersão, se bem aplicada, pode trazer enormes vantagens para as crianças assim como para o entorno social.
O sexto artigo de Wiseman Osman Wanna “Análise das práticas de avaliação da aprendizagem nos módulos de Inglês no Ensino Médio do Curso Agro-Pecuária” tem por objectivo analisar as práticas de avaliação da aprendizagem nos módulos de Inglês no Ensino Médio do Curso de Agro-pecuária baseado em competências Os instrumentos de recolha de dados utilizados na pesquisa foram a grelha de análise documental, a ficha de observação de aulas, o guião de entrevistas semi-estruturadas e o questionário. O estudo conclui que as práticas de avaliação deste ensino produzem efeitos muito prejudiciais no processo de ensino e aprendizagem e no progresso e desenvolvimento dos estudantes. Conclui ainda que as práticas avaliativas usadas pelos professores do Ensino Médio do Curso Agro-pecuária não são compatíveis com um currículo baseado em competências.
O sétimo artigo, “Reflexão sobre procedimentos de avaliação dos estudantes na Universidade Católica de Moçambique” de Horácio Luís Respeito, tem como objectivo analisar de forma reflexiva as implicações da retirada dos trabalhos académicos aos estudantes do Centro de Ensino à Distância da Universidade Católica de Moçambique. O estudo de natureza qualitativa foi realizado em oito cursos de ensino, tendo sido aplicados questionários a estudantes e docentes/tutores. O estudo conclui que a retirada dos trabalhos académicos nos cursos tem que ser repensada, pois estes contribuem para a aquisição de conhecimentos e ajudam os estudantes meno dedicados a preocuparem-se, estudando módulos, livros, teses, dissertações, contribuindo assim, para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem.
O oitavo artigo de Cristóvão da Elsa Sefane, intitulado “Avaliação emancipatória como modalidade da avaliação da aprendizagem dos estudantes no Ensino Superior”, tem como objectivo reflectir sobre a concepção da avaliação emancipatória como modalidade da avaliação das aprendizagens dos estudantes no Ensino Superior. A metodologia adoptada baseou-se na pesquisa bibliográfica e documental, tendo-se usado entrevistas aos estudantes. O estudo conclui que, a concepção da avaliação que possa responder às necessidades de uma universidade que vise a construção da cidadania aliada à formação do indivíduo e à formação profissional, deve estar calcada numa visão progressista e crítica de educação, com tendências de libertar o estudante para proposta de soluções aos problemas sociais.
O nono artigo “Auto)supervisão como procedimento metodológico de desenvolvimento profissional contínuo: o espaço da análise reflexiva de aulas”, de Ângelo Niquice, tem como objectivo principal observar e aferir indicadores de sucesso da metodologia cooperativo-colegial de análise reflexiva de aulas. O estudo desenvolveu-se numa metodologia quanti(quali)tativa inferindo o processo de planificação – acção – reflexão – (re)planificação de forma articulada com dados decorrentes do inquérito aos professores. Os resultados do estudo mostram que a metodologia de análise reflexiva de aulas promove o desenvolvimento profissional, melhora e inova a qualidade da práxis docente.
O décimo artigo, de Boaventura Aleixo, Félix Mulhanga e Stela Mithá Duarte “A formação de professores para a educação inclusiva em Moçambique: percurso e desafios da Universidade Pedagógica” tem como objectivo analisar o processo de formação de professores em Moçambique no contexto da educação inclusiva, tendo como base a Universidade Pedagógica de Moçambique (UP). A metodologia usada assenta na pesquisa bibliográfica e documental e na experiência informada dos autores. Os autores concluem que no percurso de formação de professores para a educação inclusiva foram dados alguns passos significativos, mas os desafios ainda são enormes, relacionados com políticas de formação mais voltadas para a inclusão e a criação de condições físicas, psico-pedagógicas e didácticas que possibilitem melhor articulação entre a teoria e a prática da educação inclusiva.

O décimo primeiro artigo, de Amélia Lemos “Atitude e representação face à formação universitária: o caso da Licenciatura em Ensino de Francês na Universidade Pedagógica”, procura perceber quais as dificuldades que o estudante recém-admitido na universidade apresenta e que o impedem de se comportar como um estudante universitário. O estudo é qualitativo, combinando observação e experiência/prática na sala de aula, tendo como amostra relatos de práticas e comportamentos de estudantes no contexto de trabalho. A autora conclui que as atitudes e representações face a formação dos professores, quer seja em relação aos professores de francês ou de outras áreas, devem ser encaradas como algo que tem de ser conjugado entre a postura dos formadores e dos formandos, para que se caminhe no mesmo sentido.
O décimo segundo artigo, “As implicações da reforma educativa no perfil de saída dos alunos do ensino primário: Estudo realizado numa escola do Ensino Primário do Município de Cacuaco”, de Paulo Luís Garcia António, visa reflectir sobre as implicações da reforma educativa no perfil de saída dos alunos do ensino primário. Para o efeito recorreu-se a conversas formais e informais, pesquisa bibliográfica e documental, entrevistas semi-estruturadas, bem como observação de aulas. O estudo constata que parte significativa dos professores não se formou com base no actual sistema de educação “Reforma”, sendo produto do sistema antecedente, mas os resultados por eles apresentados é o que toda a sociedade, incluindo os professores, considera como sendo dos piores.
O décimo terceiro artigo “Do ensino da história nacional à história local: análise dos programas da disciplina de História no Sistema de Educação e Ensino em Angola” de Simão Chicaia Culandi tem como objectivo analisar os programas da disciplina de História no Ensino Primário e no I Ciclo do Ensino Secundário, buscando compreender a existência ou não de matérias ligadas á história local. O autor toma como referência a província de Cabinda, Região Norte de Angola. A pesquisa tem um carácter bibliográfico e documental, baseando-se na experiência do autor. Os resultados do estudo permitem compreender que nos actuais manuais da referida disciplina não há conteúdos que tratam da história e cultura local das regiões de Angola, sobretudo da região de Cabinda, que é o objecto de estudo do autor.
O décimo quarto artigo “Currículo, democratização do acesso e qualidade do Ensino Básico em Moçambique”, de Alipio Matangue, tem como objectivo relacionar o currículo, a democratização do acesso e a qualidade do Ensino Básico em Moçambique. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental. O autor conclui que apesar dos progressos alcançados no Ensino Básico, ainda há um longo caminho a percorrer para que se garanta a qualidade. Entre os desafios constam melhorias na formação de professores, na distribuição do livro e do material escolar, no desenvolvimento curricular, na gestão da educação, na promoção da saúde escolar; melhor gestão dos recursos humanos, da planificação, do orçamento, entre outros.
O décimo quinto e último artigo “Indisciplina e violência escolar em três escolas de Maputo/Moçambique”, de Fernando Francisco Pereira, visa analisar interpretações de professores sobre a presença de indisciplina e violência escolar de alunos de três escolas secundárias públicas da cidade de Maputo. O estudo é qualitativo e quantitativo, tendo sido aplicados questionários e entrevistas. Os resultados revelam que os principais actos de indisciplina escolar presentes nas escolas investigadas são: barulho, conversas entre alunos, risos, brincadeiras, provocações, pulos, falta de respeito, desprezo, xingamento e desobediência às regras de regulamento das escolas.
Desejamos a todos e a todas uma óptima leitura.
Bom Natal e Próspero Ano Novo 2019.

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