Mulher Homenagem 2019 JF UP

A força da mulher moçambicana

 

Neste 7 de Abril choramos as mulheres e famílias que pereceram e, partilhamos a dor e o luto de uma tragédia anunciada. De todas situações impressionantes da devastação sofrida pela população de Beira, pela fúria do ciclone Idai, não passa despercebido para, ninguém, as imagens das mulheres e, sua luta pela sobrevivência: nas filas de ajuda humanitária, carregando suas crianças, cuidando dos feridos, perplexas diante de uma dura realidade que exige, ainda, mais coragem e luta pela sobrevivência. Consternadas diante da incontrolável força da Mãe natureza que, dependendo do cuidado e atenção que recebe, de seus filhos e filhas, pode acariciar ou destruir. As vidas das mulheres de Beira e, de seus familiares estão a ser reestruturadas depois dos últimos acontecimentos.

A Universidade Pedagógica, também, passou por um processo profundo de restruturação. Muito menor do que a intensidade de um ciclone, mas capaz de mudar vidas e rumos institucionais. De uma única universidade se criaram outras novas cinco e, as respectivas equipas que vão liderar o processo. Os principais gestores são, igualmente, produto da própria UP. Eles que conhecem à trajectoria e, o DNA que fez desta casa, a maior IES do país, ao longo dos 35 anos de existência.

Mas desta vez, será preciso fazer a flexão de gênero para nomear a liderança de uma, dentre as cinco universidades que brotaram da UP. O país recebeu a primeira Reitora de uma universidade pública, ensino estruturante e o mais enraizado e estabelecido no país. Unipungue recebe de braços abertos a Professora Emília Afonso Nhalivilo, filha de pais professores e enfermeiros, do interior da província de Inhambane, professora de Química e que iniciou sua formação na UP e, fez a pós-graduação na Austrália.

Coincidência ou não, ela se deslocou na semana e mês da Mulher Moçambicana, para o seu novo local de trabalho, na companhia de bandeira, sob a direção da Comandante Admira Antônio que, descobre os ares da grande estrada, desde 2011 e, em 2018, assumiu os comandos pela primeira vez.

Ver essas duas mulheres, juntas, em missões de trabalho tão distintas e tão próximas, ao mesmo tempo, emociona. Embora os ofícios de ambas sejam diferentes, a sua presença em espaços de trabalho, majoritariamente, dominados pelos homens apresenta um ponto comum. As duas representam uma ruptura com o patriarcado e o machismo e desafiam, os padrões que, historicamente, determinam o lugar profissional dos homens e das mulheres na nossa sociedade.

Emília Nhalivilo e Admira Antônio brilham como faróis para outras mulheres, jovens e adultas. Revelam que, o lugar da mulher moçambicana, deve ser onde ela quer e deseja estar e, não aonde as hierarquias de gênero determinam que ela esteja. Uma mudança radical, ainda lenta, diante das estruturas de poder, mas imprescindível de ser realizada.

Essas mulheres, assim como tantas outras que permanecem invisíveis, aos olhos da sociedade moçambicana, são fruto de seu trabalho, performance, desempenho profissional, resultados extraordinários nas tarefas que realizam!

Com determinação e visão de futuro, as mulheres moçambicanas estão cada vez mais, emancipadas e, trilham o seu próprio caminho e percurso. Abrem novos horizontes e perspectivas. Redimensionam a vida. Reeducam os homens e as novas gerações. Quebram paradigmas.

Essa é a força da Mulher Moçambicana.

Jorge Ferrão

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