Notícias
Notícias
UP-MAPUTO
WORKSHOP DEBATE FINANCIAMENTO CLIMÁTCO NO PAÍS
Com vista a marcar o dia mundial do ambiente, que se assinala anualmente a 5 de Junho, a Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) reuniu no Campus de Lhanguene, investigadores, estudantes, e Organizações Não Governamentais, num workshop sobre financiamento climático em Moçambique, subordinado ao tema “Como a Pesquisa Pode Auxiliar o Desenvolvimento Resiliente ao Clima” com objectivo de reflectir sobre os desafios e oportunidades da mobilização de recursos destinados à adaptação e mitigação dos impactos das mudanças climáticas.
Os participantes do workshop destacaram que Moçambique continua entre os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando frequentemente ciclones, secas e inundações. Neste contexto, foi sublinhada a importância de fortalecer mecanismos de financiamento climático e de promover uma gestão eficiente dos recursos disponíveis.
Entre os avanços apresentados, o país tem recorrido a instrumentos de transferência de risco climático, permitindo mobilizar recursos para responder a emergências causadas por eventos extremos, sendo que os fundos obtidos têm contribuído para assistência humanitária e para o reforço da capacidade nacional de resposta a desastres.
O workshop também evidenciou o papel estratégico das instituições de ensino superior e dos centros de investigação na produção de conhecimento científico capaz de apoiar a formulação de políticas públicas e a tomada de decisões baseadas em evidências. Os intervenientes defenderam uma maior participação da academia na identificação de soluções inovadoras para os desafios climáticos e no fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais do país.
No sector da saúde, foi apresentado o Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas para o Sector da Saúde 2026–2030, recentemente aprovado, que prevê acções para tornar o Sistema Nacional de Saúde mais resiliente face aos impactos climáticos. O plano apresenta quatro pilares: serviços resilientes, acesso inclusivo, sistemas adaptativos e integração sustentável.
Para os participantes do workshop, o principal desafio de Moçambique não se resume à obtenção de mais financiamento climático, mas também à capacidade de mobilizar, gerir e aplicar os recursos de forma eficaz. Para tal, há necessidade de reforçar a investigação científica, a cooperação entre o Governo, a academia e o sector privado, bem como a diversificação das fontes de financiamento. (X)
Por: GCI-UPM





O anfiteatro da Faculdade de Educação e Psicologia (FEP) acolheu na sexta-feira, 5 de Junho, as comemorações do dia do Curso de Educação e Assistente Social, evento marcado por reflexão, partilha de experiência e debate em torno do papel do assistente social na nossa sociedade, com o tema “ser assistente social hoje: desafios e perspetivas”. Os intervenientes destacaram a importância do trabalho desenvolvido pelos assistentes sociais na promoção do bem-estar das comunidades, a necessidade de uma formação contínua e de uma actuação ética e comprometida com as transformações sociais.
A celebração emitiu uma mensagem de encorajamento aos futuros profissionais destacando a relevância da assistência social na promoção da dignidade humana e no fortalecimento da coesão social. Referir que a programação do evento incluiu apresentações culturais, e momentos de interacção entre os estudantes e profissionais convidados, proporcionando um espaço de aprendizagem e troca de experiência.(X)
Por:
GCI-UPM



CONGRESSO INTERNACIONAL DEBATE DESAFIOS DA PRIMEIRA INFÂNCIA EM MOÇAMBIQUE
Para marcar as celebrações do mês da criança, a Faculdade de Educação e Psicologia (FEP) da UP-Maputo acolheu, no dia 2 de Junho corrente, o Congresso Internacional do Desenvolvimento da Primeira Infância Inclusivo, sob o lema: “Primeira infância - por um cuidado integral, domínio de saúde e aprendizagem precoce”. Esta iniciativa é da fundação FE integrada no projecto Mbalele-mbalele, que reúne instituições académicas e parceiros nacionais e internacionais, e tem como objectivo promover a reflexão sobre os desafios e perspectivas relacionadas com saúde, educação, nutrição, protecção e aprendizagem precoce das crianças em Moçambique.
Na abertura do Congresso, os intervenientes destacaram a importância de investir na primeira infância, considerada uma fase decisiva para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança. O director da FEP, Prof. Doutor Bonifácio Langa, alertou para os impactos que a falta de cuidados adequados pode ter no futuro das crianças e do país, e por sua vez Marta Miranda representante dos parceiros descreveu a criança como sujeito de direito.
Durante os painéis, especialistas das áreas de saúde e educação abordaram temas como nutrição infantil, a estimulação precoce, os cuidados parentais e a prematuridade. A enfermeira pediátrica Dra. Nolgia Machava sublinhou que os primeiros mil dias de vida são fundamentais para o desenvolvimento da criança e apelou ao reforço da amamentação, da alimentação adequada e do envolvimento das famílias no crescimento das crianças.
Por sua vez, a oficial técnica de saúde Felismina Alberto apresentou resultados de uma pesquisa realizada em uma unidade sanitária que demonstram a necessidade de melhorar o aconselhamento aos pais e cuidadores sobre práticas de estimulação precoce e desenvolvimento infantil.
Os participantes defenderam igualmente uma maior articulação entre os sectores da saúde, educação e protecção social para garantir melhores condições de vida as crianças moçambicanas. O Congresso serviu de plataforma de partilhas de experiências visando contribuir para a formação de estratégias que promovam o desenvolvimento integral da infância sendo que no primeiro dia o congresso aconteceu na Universidade Eduardo Mondlane e teve como financiador o Instituto Camões, a Escola Superior da Educação Paula Francinete de Portugal, e a Candela. (X)
Por:
GCI-UPM






O encerramento do 1.º Fórum de Reitores Brasil–África, realizado em Brasília, de 25 a 27 de maio último, ficou marcado pela leitura, aprovação e assinatura da Carta de Brasília, documento final que estabelece os principais compromissos e encaminhamentos para o fortalecimento da cooperação académica, científica, cultural, tecnológica e institucional entre o Brasil e os países africanos.
A UP-Maputo teve participação de destaque neste momento, através do seu Reitor, Prof. Doutor Jorge Ferrão, que integrou a comissão de redacção da Carta final do Fórum. O Reitor da UP-Maputo foi convidado, igualmente, para apresentar a Carta de Brasília diante dos participantes, juntamente com a Prof.ª Sandra Goulart, da Universidade Federal de Minas Gerais.
A apresentação do documento conferiu à UP-Maputo uma presença relevante não apenas como instituição participante, mas, também, como voz activa na definição dos princípios, prioridades e compromissos que deverão orientar uma nova etapa das relações académicas entre o Brasil e África. Assim, a Carta de Brasília afirma a necessidade de transformar a cooperação universitária num instrumento concreto de desenvolvimento, inovação, inclusão social e construção de capacidades.
No documento, representantes de universidades, entidades de pesquisa, associações académicas, organismos multilaterais, agências de fomento e instituições governamentais brasileiras e africanas reafirmam o compromisso com o fortalecimento da cooperação educacional, cultural, académica, científica, tecnológica, institucional e de inovação entre o Brasil e os países africanos.
A Carta reconhece o Fórum como um espaço de diálogo, intercâmbio de experiências e construção de perspectivas comuns, baseado nos princípios da reciprocidade, horizontalidade, solidariedade, complementaridade, respeito à diversidade e valorização da cooperação Sul-Sul. Trata-se de uma visão que procura superar relações assimétricas e afirmar uma cooperação construída entre parceiros, com benefícios partilhados e responsabilidades comuns.
Entre as prioridades estratégicas definidas no documento, destacam-se o fortalecimento das redes académicas e científicas entre o Brasil e os países africanos, a ampliação da mobilidade presencial e virtual de estudantes, pós-graduandos, docentes, pesquisadores, técnicos-administrativos e gestores, bem como o reforço da cooperação na extensão universitária com impacto social.
A Carta também coloca a formação de professores no centro da agenda Brasil–África, reconhecendo que a qualidade da educação depende, em grande medida, da capacidade de formar, actualizar e valorizar os profissionais que sustentam os sistemas educativos. Este ponto dialoga directamente com a missão histórica da UP-Maputo, enquanto instituição vocacionada para a formação de professores, produção de conhecimento educacional e apoio ao desenvolvimento do sistema nacional de educação.
Outro eixo relevante do documento é a promoção da ciência aberta, da internacionalização solidária e inclusiva, da formação técnica, científica e profissional orientada para o trabalho digno e a cidadania, bem como da educação aberta, incluindo o ensino híbrido, a semipresencialidade e as práticas pedagógicas mediadas por tecnologias. Estes compromissos apontam para uma cooperação mais moderna, mais acessível e mais ajustada aos desafios contemporâneos do ensino superior.
A Carta de Brasília identifica ainda áreas prioritárias para o desenvolvimento de pesquisa, tecnologia e inovação colaborativas. Entre elas estão o combate à fome e a segurança alimentar, o desenvolvimento agrário, a agricultura tropical e de precisão, a saúde e o bem-estar, o fortalecimento dos sistemas de saúde, o confronto às mudanças climáticas, a transição energética, as economias azul e verde, o uso estratégico de terras raras, a soberania e democratização digitais, a inteligência artificial ética e responsável, a integração de cadeias produtivas entre o Brasil e os países africanos, a juventude, a empregabilidade e o empreendedorismo.
Estes temas demonstram que o Fórum não se limitou à retórica da aproximação histórica entre Brasil e África. Pelo contrário, procurou definir uma agenda estratégica orientada para problemas concretos que afectam as sociedades contemporâneas.
A Carta propõe ainda a realização da segunda edição do Fórum até 2028, o diálogo com organismos nacionais e multilaterais de desenvolvimento e agências de fomento, a diversificação das fontes de financiamento para a cooperação académica e a facilitação da circulação de pessoas como incentivo à mobilidade académica.
Outro ponto de destaque é a valorização da diversidade linguística e a criação de espaços conjuntos para o desenvolvimento da proficiência linguística, tanto presencial quanto virtualmente.
Na mensagem final da Carta de Brasília, os participantes afirmam que não se pode mais adiar decisões nem aceitar que projectos comuns permaneçam apenas no plano das intenções. Diante das desigualdades que ainda marcam os países africanos e o Brasil, o documento conclama universidades, redes académicas e demais actores a assumirem um papel activo na co-criação e implementação imediata de iniciativas conjuntas.
Para a Universidade Pedagógica de Maputo, a participação na comissão de redacção e na apresentação pública da Carta representa um momento de elevado significado institucional. A UP-Maputo não apenas participou do Fórum, mas contribuiu directamente para a formulação da visão que deverá orientar os próximos passos da cooperação académica Brasil–África. Ao fazê-lo, reafirmou o seu compromisso com uma internacionalização activa, solidária e orientada para resultados concretos, colocando a educação, a ciência e a inovação ao serviço do desenvolvimento de Moçambique, de África e dos povos do Sul Global.
Por:
Alves Manjate, especial para o GCI-UPM




O Simpósio Ler e Compreender Mazula marcou a celebração do dia 25 de Maio, Dia de África na Universidade Pedagógica de Maputo (UPM). O evento, uma organização conjunta da Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia (FCSF) da UPM e Faculdade de Filosofia (FF) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), trouxe para sala uma reflexão fundada em quatro eixos temáticos: Pensar Diferente (Epistemologia); Pensar na Paz, Reconciliação e Unidade Nacional (Ética); Pensar a Educação e a Universidade (Filosofia da Educação); e Pensar a Utopia da Democracia (Filosofia Política), reunindo académicos e estudantes para pensar nos desafios para desenvolver África em função dos escritos de Mazula. Foram dois de debates em volta do pensamento de Mazula, dia 25 no Campus de Lhanguene (UPM) e dia 26 num dos Campus da UEM.
O reitor da UPM, Prof. Doutor Jorge Ferrão, descreveu Brazão Mazula como um raro intelectual que ajudou Moçambique a pensar-se a si próprio nos momentos de esperança, sobretudo nos tempos de inquietação e de incerteza, enalteceu os seus feitos na academia, na preservação da paz, reconciliação e unidade nacional, assim como o seu contributo para o crescimento da educação e o seu marco na vida política dos país. “Nesta homenagem a UPM não celebra apenas um académico, mas um homem que fez da lucidez uma forma de patriotismo, alguém que construiu pontes quando muitos preferiram cavar trincheiras, intelectual que continua a lembrar-nos que a universidade deve ser um espaço de consciência crítica e de esperança”, vincou Professor Ferrão.
A apresentação de ideias preliminares sobre “Ler e Compreender Mazula”, esteve a cargo do vice-reitor, Professor Catedrático José Castiano, que falou dos planos traçados para o desenvolvimento de África com vista a torná-la numa potência até 2063 e fez menção aos grandes nomes que se destacaram na luta pela independência africana, citou alguns pensamentos, escritos e ideias de Mazula, destacando o estilo de escrita, a ligação da teoria e práxis baseada no seu livro autobiográfico onde sai a ideia de ser diferente e pensar diferente.
Para o director da FCSF, Prof. Doutor Bernardino Cordeiro, a universidade não deve se limitar à transmissão de conhecimento ou à formação de competências e técnicas desligadas da realidade, ela deve constituir um espaço de pensamento crítico e de questionamento das desigualdades e de problematização das estruturas do poder, tendo enfatizado a importância da descolonização da mente africana como relevância da liberdade intelectual no desenvolvimento de África.
Na mesma mesa redonda diversas personalidades da academia estiveram reunidas, a destacar o Professor Catedrático Brazão Mazula, antigo reitor da UEM, Prof. Doutor José Blaunde, director da FF da UEM, Prof. Doutor Elias Macuácua, Prof. Doutora Nilza Chirinda, e Prof. Doutor Filimone Meigos Secretário-geral da AEMO, que falaram da importância de produção de conhecimento à luz do pensamento de Mazula.
Por:
GCI/UPM






A Universidade Pedagógica de Maputo assinou, durante o 1.º Fórum de Reitores Brasil–África, realizado em Brasília, um conjunto de 10 instrumentos de cooperação com instituições brasileiras de ensino superior e de articulação universitária. Os acordos representam um passo significativo na expansão e no aprofundamento das relações académicas da UP-Maputo com o Brasil, reforçando a aposta da instituição na internacionalização, na mobilidade académica, na investigação conjunta e na construção de capacidades científicas, pedagógicas e institucionais.
Os acordos foram assinados em meio a uma intensa agenda de encontros bilaterais realizados à margem do Fórum, nos quais a delegação da UP-Maputo manteve contactos com diversas instituições brasileiras de ensino superior. Esses encontros permitiram consolidar parcerias, abrir novas frentes de diálogo e transformar a presença da Universidade no Fórum numa oportunidade concreta de expansão e aprofundamento da cooperação académica com o Brasil.
Os instrumentos foram celebrados com a Universidade Estadual do Piauí (UESPI), o Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal Rural da Amazónia (UFRA), a Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Mais do que ampliar a rede de parceiros internacionais, os acordos marcam uma nova etapa na cooperação académica entre a UP-Maputo e instituições brasileiras. Trata-se de uma passagem da simples aproximação institucional para uma cooperação mais estruturada, orientada para resultados concretos, com potencial para gerar mobilidade, investigação aplicada, formação avançada, intercâmbio de experiências e desenvolvimento de projectos de interesse comum.
Embora muitos dos instrumentos assinados partilhem uma base comum, nomeadamente mobilidade académica, intercâmbio de docentes e estudantes, investigação conjunta, cursos de curta duração, seminários, extensão universitária e partilha de publicações científicas, cada parceria abre possibilidades próprias, de acordo com o perfil institucional e académico de cada universidade brasileira.
Neste contexto, a cooperação com a Universidade Estadual do Piauí, a Universidade Federal de Pelotas, a Universidade Federal de Juiz de Fora e com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul reforça sobretudo a dimensão da mobilidade académica, da cooperação científica, da partilha de experiências institucionais e do desenvolvimento de projectos conjuntos em áreas de interesse comum.
Alguns acordos apresentam, contudo, especificidades particularmente relevantes para a missão e as prioridades estratégicas da UP-Maputo. A parceria com a Universidade Federal do Pampa, por exemplo, destaca-se pela sua ligação directa à formação de professores, ao desenvolvimento profissional docente, às políticas educacionais, à educação inclusiva, à interculturalidade e à internacionalização da educação superior. Trata-se de uma colaboração especialmente significativa para uma universidade cuja identidade institucional está profundamente ligada à formação de quadros para o sector da educação.
Por sua vez, os acordos com a Universidade Federal do Pará, a Universidade Federal Rural da Amazónia, a Universidade Federal de Lavras e com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro abrem espaço para uma cooperação com forte potencial nas áreas das ciências agrárias, ambiente, sustentabilidade, desenvolvimento rural, biodiversidade, segurança alimentar, inovação e gestão de recursos naturais. Estas áreas dialogam directamente com desafios estratégicos de Moçambique, sobretudo num contexto em que a agricultura, a segurança alimentar, a protecção ambiental e o desenvolvimento territorial permanecem prioridades nacionais.
O instrumento celebrado com o Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras tem uma natureza distinta, pois não se limita à relação bilateral com uma universidade específica. Ao aproximar a UP-Maputo à uma rede de instituições brasileiras, este acordo pode funcionar como plataforma de acesso a novas oportunidades de mobilidade, pós-graduação, investigação, internacionalização e cooperação multilateral.
No domínio da educação digital e do ensino a distância, destacam-se particularmente as possibilidades de cooperação com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, a Universidade Estadual do Piauí, a Universidade Federal de Juiz de Fora e com a Universidade Federal de Lavras, instituições que dispõem de estruturas próprias ou programas consolidados de EaD, podendo contribuir para o fortalecimento da formação online, da tutoria digital, da produção de conteúdos pedagógicos e da capacitação docente em ambientes virtuais de aprendizagem.
Deste modo, os acordos assinados não representam apenas uma expansão quantitativa da rede internacional da UP-Maputo. Representam também um aprofundamento qualitativo das relações com o Brasil, pois combinam instrumentos gerais de cooperação académica com parcerias orientadas para áreas estratégicas, como formação docente, educação inclusiva, ciências agrárias, ambiente, inovação, internacionalização e desenvolvimento institucional.
Por:
Alves Manjate, especial para o GCI-UPM












O Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), Prof. Doutor Jorge Ferrão, participou, nesta quarta-feira, 27 de maio, no Painel 4 do 1º Fórum de Reitores Brasil–África, dedicado ao tema “Propostas e Encaminhamentos para as Relações Académicas entre o Brasil e os Países Africanos”.
Na sua intervenção, Jorge Ferrão defendeu que a cooperação entre o Brasil e África deve entrar numa nova fase, uma fase menos centrada na assinatura de acordos, na mobilidade individual ou na visibilidade institucional, e mais orientada para a construção conjunta de capacidades científicas, tecnológicas, pedagógicas e institucionais. Para o Reitor da UPM, o momento exige a passagem de uma agenda predominantemente diplomática para uma verdadeira agenda estratégica, capaz de produzir resultados concretos para as universidades, os sistemas de ensino superior e os povos dos dois lados do Atlântico.
Segundo Ferrão, aquilo que deve unir o Brasil e os países africanos não é apenas a história, a língua ou a memória comum, mas sobretudo a responsabilidade partilhada de construir respostas para os grandes desafios do presente e do futuro. Neste sentido, sublinhou, o Fórum deve ser entendido como uma plataforma de definição de caminhos concretos para uma cooperação académica mais produtiva, mais estruturada e mais transformadora.
Um dos pontos centrais da sua intervenção foi a defesa de uma mobilidade académica em dois sentidos. Para Jorge Ferrão, a mobilidade não deve ser vista apenas como deslocação de estudantes ou docentes africanos para instituições brasileiras, mas como circulação mútua de saberes, experiências, investigadores, professores, estudantes e soluções. A cooperação Brasil–África deve permitir que universidades africanas aprendam com o Brasil, mas, também, que o Brasil aprenda com África, reconhecendo que o conhecimento não tem apenas um centro de produção, nem uma única direcção de circulação.
O Reitor da UPM insistiu, igualmente, na necessidade de transformar os acordos existentes em instrumentos vivos de cooperação. Na sua perspectiva, o grande desafio já não é sobre o número de acordos assinados, mas sobre as capacidades duradouras que esses acordos podem construir. A cooperação académica deve deixar de ser um exercício formal e passar a produzir efeitos mensuráveis na formação avançada, na investigação aplicada, na inovação, na qualidade do ensino e na capacidade de resposta das universidades aos problemas complexos das sociedades. Neste contexto, Ferrão destacou áreas estratégicas que podem aproximar mais o Brasil e os países africanos, nomeadamente a agricultura, a segurança alimentar, as energias renováveis, a inteligência artificial, a mineração, a ciência, a tecnologia e as ciências humanas. Para Moçambique, estas áreas não são apenas campos de investigação académica, mas, sectores directamente ligados ao desenvolvimento nacional, à soberania económica, à segurança alimentar, à inclusão social e à construção de um futuro mais sustentável.
Ao abordar a questão dos minerais críticos, o Reitor da UPM chamou a atenção para a necessidade de uma cooperação que não reproduza padrões históricos de exploração. Sublinhou que a África não pode voltar a ocupar o lugar de mero fornecedor de matérias-primas, enquanto os seus povos permanecem como observadores dos benefícios gerados pelos seus próprios recursos. A exploração de minerais estratégicos deve estar associada à formação de quadros, à transferência de tecnologia, à investigação local, à industrialização, à agregação de valor e ao fortalecimento das instituições nacionais.
Outro ponto relevante da intervenção de Jorge Ferrão foi a Inteligência Artificial na educação. O Reitor observou que, em Moçambique, a IA representa uma grande oportunidade, mas, também, revela desigualdades tecnológicas, pedagógicas e institucionais. Muitos estudantes estão a migrar rapidamente para ambientes digitais, enquanto uma parte significativa dos professores ainda enfrenta dificuldades na transição do analógico para o digital. Esta diferença, segundo Jorge Ferrão, não deve ser interpretada como resistência dos docentes, mas como resultado de limitações concretas, incluindo falta de formação, insuficiência de equipamentos, acesso irregular à internet e ausência de apoio institucional consistente. Para o Reitor, o professor do futuro não será substituído pela Inteligência Artificial, mas terá de aprender a utilizá-la como ferramenta pedagógica, crítica e criativa. Ao mesmo tempo, alertou que o simples uso de redes sociais ou plataformas digitais pelos estudantes não significa, necessariamente, domínio do conhecimento. Saber usar tecnologia não é o mesmo que saber pesquisar, interpretar, seleccionar informação, produzir pensamento crítico e transformar dados em conhecimento útil para a sociedade.
A intervenção do Reitor da UPM também colocou a educação no centro da discussão sobre o futuro. Para o Prof. Doutor Jorge Ferrão, investir na educação é muito mais do que cumprir uma obrigação institucional ou governamental; é assumir uma posição clara em relação ao futuro dos países. A educação deve ser vista como investimento estratégico na capacidade científica, tecnológica, democrática e humana das nações.
A participação da Universidade Pedagógica de Maputo no 1.º Fórum de Reitores Brasil–África reafirma, assim, o compromisso da instituição com uma cooperação internacional orientada para resultados concretos, para a formação de capacidades locais e para a produção de ciência útil aos países e aos povos.
O Fórum que decorre em Brasília reúne dirigentes universitários, académicos, decisores públicos e representantes de instituições de ensino superior do Brasil e de diversos países africanos.
Por:
Alves Manjate, especial para o GCI-UPM


O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou, nesta segunda-feira, 25 de Maio, na abertura do 1.º Fórum de Reitores Brasil-África. O encontro tem como objectivo consolidar a educação superior como eixo central da relação bilateral entre o Brasil e os países do continente africano.
No âmbito das celebrações do Dia Internacional da Biodiversidade, decorreu nesta sexta-feira (22), na Faculdade de Ciências Naturais e Matemática (FCNM) da Universidade Pedagógica de Maputo (UPM), um seminário sob lema: "Agindo localmente para um impacto global". O evento teve como finalidade debater os desafios e oportunidades para a conservação e preservação da biodiversidade em Moçambique.
De acordo com o director da FCNM, Prof. Doutor Arsénio Mindú, o seminário visava evidenciar a relevância do compromisso com a integridade da biodiversidade moçambicana. “Celebramos esta data com júbilo e compromisso da instituição com a investigação e extensão, visando a preservação do meio ambiente"- apontou Mindú.
Em representação do Parque Nacional de Maputo, o oficial Natércio Ngove, centrou a discussão na gestão integrada dos ecossistemas marinhos e terrestres do sul de Moçambique, tendo indicado que a preservação da vida selvagem exige um esforço permanente da sociedade. ‘‘As festividades alusivas ao dia da biodiversidade deviam ser diárias, com o envolvimento activo da população, para reforçar a consciencialização sobre a protecção das espécies no planeta, do qual o ser humano faz parte”, destacou Ngovene, declarando que a biodiversidade é vida, mas as acções humanas estão entre os factores que aceleram a sua perda.
Ainda de acordo com Ngovene, o abate ilegal de árvores, a caça furtiva, os incêndios sem controlo, a disseminação de armas de fogo, a baixa literacia ambiental e a presença de assentamentos dentro da área protegida, fazem parte do leque das causas críticas da degradação ambiental, tendo destacado o papel do Parque na criação de empregos, no incentivo ao turismo responsável, apoio à pesquisa científica e na promoção de rendimentos sustentáveis para as comunidades vizinhas.
Por seu turno, o representante do Parque Nacional do Limpopo (PNL), Sérgio Bié, abordou os desafios e oportunidades da conservação da biodiversidade em áreas de gestão transfronteiriça, e declarou estar em curso o processo de reassentamento de algumas comunidades, com o objectivo de reduzir o conflito entre o homem e a fauna bravia.
“O processo enfrenta resistência por parte das comunidades, sobretudo no que diz respeito à compensação pelas perdas de gado”, reconheceu Bié, acrescentando que estão a ser desenvolvidos esforços para mitigar a caça furtiva.
O representante do PNL referiu ainda que apesar das dificuldades, o parque mantém uma rica diversidade de fauna, incluindo população significativa de elefantes. Como medida para reduzir a degradação da biodiversidade, ele apelou à sociedade para diminuir o uso de carvão e privilegiar o uso sustentável de lenha.
As celebrações do 22 de Maio, data instiuída pela Organização das Nações Unidas como Dia Internacional da Biodiversidade para reforçar a importância da variedade de vida no planeta e a necessidade de acções concretas para protegê-la, decorreram no Campus de Lhanguene e contaram com a participação da BIOFUND, Fundação para a Conservação da Biodiversidade, representantes do parque Nacional de Maputo e Limpopo, estudantes da UPM e da Universidade Eduardo Mondlane e docentes.
Em Moçambique a Lei n.º 5/2017, de 11 de Maio — Lei de Proteção, Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica estabelece penas de prisão de 12 a 17 anos para caçadores furtivos. (X)
Por:
GCI-UPM






REITORIA - Rua João Carlos Raposo Beirão nº 135, Maputo, Moçambique
(+258) 84 20 07 116
DUNS: 558579373